sábado, 30 de novembro de 2013

Capítulo 9



Rafinha suspira aliviado ao ver Letícia e sua amiga se afastarem. Tivera muito trabalho escondendo o casebre com trepadeiras e outras espécies vegetais, mas como se tratava de um casebre minúsculo, o plano dera certo. Agora ele tinha que desfazer tudo rapidamente antes que Zayn voltasse. Uma tristeza profunda o acomete enquanto trabalha: por que as coisas tinham que ser desse jeito? Qual o grande pecado em ser judeu? Ele nunca entenderia a mentalidade da maioria...
            Letícia e Isadora chegam em casa, e Letícia corre para seu quarto. Lágrimas quentes correm pelo seu rosto. Tivera tudo sido apenas um sonho: Ela não conseguia entender...
            Sua mãe bate à sua porta. Ela não queria ter que dar explicações nesse momento.
- Deixe-me, quero ficar sozinha!
- Mas filha! A Isadora já foi embora, não me explicou nada... Eu preciso saber o que está contecendo!
- Nós brigamos, só isso!
- Como assim, só isso? Vocês nunca brigam!
- É, mas sempre tem a primeira vez! Agora deixe-me, não quero falar sobre isso mãe, por favor!
- Mas não vai descer para almoçar?
- Depois...
- Ai, filha... Está bem, mas não demore muito, ou você pode ter problemas de estômago!
            Bem que ela queria ter algum problema de saúde, e morrer de vez... Pois, agora, o único futuro que a esperava era casar-se com Cornelius... Só de pensar nessa possibilidade ela já ficava doente do estômago! Mas não haveria escapatória... Ou haveria? Ela simplesmente não queria pensar em mais nada, e adormece em meio às lágrimas, vislumbrando seu destino cruel.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Capítulo 8

- Letícia, pare agora! Eu não vou ser sua cúmplice nessa loucura!
- Você quem sabe... Mas eu vou até ele com ou sem a sua ajuda! Só sei que temos que voltar juntas, pra minha mãe não desconfiar de nada!
- Ai... Você só me mete em encrencas! Então vamos logo, que temos que retornar antes do alomoço.
Letícia sorri. Sabia que a curiosidade de sua amiga falaria mais alto.
E as duas partem, só que, dessa vez, alugando uma carruagem.
- Precisam de ajuda, senhoritas: - Pergunta-lhes o homem do serviço de aluguel.
- Não, sabemos conduzir e, de qualquer maneira, não iremos longe, mas obrigada! – Diz Letícia.
- Letícia... Pode me dizer quando aprendemos à conduzir uma carruagem? – Cochicha Isadora.
- Ah, não deve ser tão difícil... E, além do mais, isso é segredo, ninguém mais pode saber! Nem mesmo o Zayn, ouviu bem? Me prometa que não vai contar à ninguém, Isadora!
- Está bem, eu prometo... Mas... Bem...
- O que foi?
- Eu contei pro Zayn sobre seu “encontro” no baile...
- Isadora!
- Desculpe-me, mas eu estava preocupada! Mas a partir de agora, minha boca é um túmulo... Prometo!
- Espero que sim! Não quero nem imaginar o que pode acontecer se Cornelius descobre!
- Eu acho melhor você deixar essa história pra lá...
- Não! Vamos logo que não temos muito tempo!
- Teimosa...
E elas partem, encontrando muita dificuldade para controlarem os cavalos, em disparada pelas ruas de Berlim.
- Isadora, me ajude!
- Eu não! A ideia foi sua!
- Está bem... – E Letícia solta suas rédeas, obrigando Isadora à pegá-las.
- Sua louca! Letícia, eu não consigo!
- Segura firme, ou nós vamos atropelar alguém, ou bater!
- Estou tentando! Sai da frente, cachorro!
- “Caim!” E o cachorro desvia no último segundo.
- Ufa, essa foi por pouco! Deixa eu guiar mesmo!
E quando Letícia vai pegar as rédeas, os cavalos quase atropelam uma senhora, que deixa cair todas as suas compras.
- Suas loucas! Ainda vão se matar!
- Letícia: lembre-me de nunca mais embarcar nas suas loucuras!
- Calma! Agora estou controlando-os, veja!
Isadora nem tinha se dado conta, mas estava o tempo todo de olhos fechado.
- Você já sabia conduzir, né? Fala a verdade!
- Sim... Cornelius já me ensinou...
- Eu te mato, Letícia!
- Ah, mas foi divertido te ver tentando guiar!
- Vamos logo, sua doida! Antes que eu mude de ideia!
E Letícia sorri. Estava precisando se divertir um pouco. Pena que tinha que ser às custas de sua amiga. Mas, dada as circusntâncias, que poderia culpá-la?
E as duas seguem para os arredores de Berlim. Em pouco tempo chegam até a ponte.
- É aqui!
- Mas Letícia... Eu só vejo mato!
- É verdade... Não tinha todo esse mato ontem aqui...
- Vamos voltar... Estou com medo!
- Não pode ser... – Letícia estava confusa. – Eu juro que tinha um casebre aqui!
- Você devia estar sonhando... Ou se enganou... Podemos ir embora agora? Não há nada por aqui...
- Mas... Está bem, vamos...
Letícia volta desnorteada. Será que havia sonhado mesmo? Será que tudo não passara de uma fantasia de sua cabeça? Ela se sentia muito mal.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Capítulo 7

Estava uma bela manhã, e Isadora vai até a casa da amiga Letícia para convidá-la para um passeio matinal.
- Olá senhora, a Letícia está?
- Está no quarto. Pode subir até lá! Quem sabe você a convence a descer para tomar café.
- Obrigada! Vou falar com ela!
Ela sobe e encontra a porta trancada.
- Letícia, sou eu, a Isadora! Abra, por favor!
- Só um minuto.
Ela abre, e Isadora se assusta com a aparência da amiga.
- O que aconteceu? Por que você não desceu para tomar café?
- Calma! São muitas perguntas...
- Desculpe-me, mas você sabe que sou curiosa!
- Ai amiga, estou perdida... Ontem, depois que eu saí da sua casa... Bem, como você não quis me ajudar, eu fui sozinha procurar aquele jovem de que te falei!
- Você o quê? Você é louca, por acaso?
- Confesso que estou, digamos... Um pouco obcecada com essa história, só isso...
- Só um pouco? Sei... Mas agora me conta, achou ele?
- Achei! Acho que sei aonde ele mora, afinal...
- Não acredito! É aqui por perto?
- Esse é o problema: é num lugar bem retirado, ficou noite, eu tirei os sapatos, me machuquei, e...
- Ah, conta!
- Ele apareceu, viu que era só uma farpa, a retirou e me trouxe até em casa!
- Nossa, que aventura! Mas morando tão longe... Ele pode ser um bandido!
- Ah, deixe de viajar, amiga! Ele só é pobre, apenas isso...
- Apenas isso? Isso, pra mim, é um pecado mortal!
- Ah, deixe de ser preconceituosa! Ele pode ser pobre, mas não deixa de ser um cavalheiro! Tão belo...
- Não acredito... Você está apaixonada por ele!
- E se eu estiver, qual o problema?
- E o Cornelius?
- Eu nunca o amei, e você sabe disso!
- E porque você não desceu para comer? Você contou para sua mãe?
- Claro que não! Ela não pode saber, quer que eu me case com Cornelius... É capaz de apressar nosso casamento se souber, então... Bico calado! Acontece que... Lembra que te falei que já tinha anoitecido? Ele me deixou na esquina, e quando eu cheguei... Cornelius estava aqui, me deu uma bronca e fez minha mãe prometer que não me deixará sair sem que seja na companhia dele!
- Putz, você está enrascada mesmo...
- Você tem que me ajudar, estou desesperada!
- Então acho que ela não vai permitir que saiamos para um passeio matinal, não?
- Receio que não... Mas quem sabe, se você pedir com jeitinho... Você consegue tudo!
- Ai, o que eu não faço por você... Vamos lá!
As duas descem e vão ao encontro da mãe de Letícia.
- Senhora... Posso roubar a Letícia por um tempinho, para um passeio matinal?
- Eu prometi à Cornelius que ela só sairá agora em companhia dele! Ela deve ter te contado...
- Por favor! Juro que não vou deixá-la aprontar nada!
- Está bem... Mas primeiro ela vai ter que tomar café! E vocês têm que me prometer que voltarão até a hora do almoço!
- Obrigada mãe! – E a beijo carinhosamente no rosto.
Nâo sei como, mas Isadora sempre conseguia o que queria!
Como e saímos.
- Agora, eu espero ainda me lembrar do caminho até a casa dele!
E Isadora fica perplexa ao descobrir o destino desse passeio matinal.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Capítulo 6

Letícia para na frente de sua casa e pensa no que teria que enfrentar com sua mãe... Que desculpa inventaria? Não seria nada fácil...
Ela entra e dá de cara com Cornelius.
- Aonde você esteve? E não adianta dizer que estava na casa de Isadora, pois eu fui te buscar lá como combinado e ela disse que vc já tinha saído!
- Filha, como você me faz uma dessa? Estávamos loucos de preocupação!
- Bom, eu já cheguei em casa e estou bem, como podem ver... Posso comer? Estou faminta!
Ela vai até a cozinha, prepara um prato e come sob os olhares de interrogação de sua mãe e Cornelius.
- Sabe... Nós vamos nos casar logo... Não é certo você ficar andando por aí, sabe-se lá com quem, até essas horas da noite!
- São apenas 8 horas... E eu estava apenas tomando ar fresco por aí, sozinha!
- Filha, se você vai agir assim... Sinto muito, mas vou ter que castigá-la!
- O quê?
- Vou indo... Certifique-se de que ela só saia dessa casa em minha companhia, certo? – Diz Cornelius à mãe de Letícia.
- Vocês não podem fazer isso!
- Sou sua mãe e Cornelius vai ser seu marido!
- Então eu oficialmente odeio vocês!
E Letícia ruma até o seu quarto, bufando, e bate a porta.
- É, não vai ser fácil, mas incrivelmente é por esse jeito rebelde dela que eu a amo! Acredite!
- Então te desejo sorte, Cornelius!
E ele sai, mas não sem antes se aproximar da porta do quarto de Letícia e dizer:
- Durma bem, querida!
O estômago de Letícia se embrulha. Ela sente vontade de vomitar.
Como faria agora para reencontrar seu jovem misterioso?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Capítulo 5

Letícia estava no meio da rua, completamente perdida, sem saber que rumo tomar em sua investigação. Como ela reencontraria aquele jovem? Não tinha a mínima ideia de por onde começar...
Começa a andar a esmo pelos arredores de Berlim... Se ele queria se esconder, não deveria morar no centro... É isso! Ele deveria morar num lugar mais retirado... Mas, já que era pobre, será que não seria serviçal de alguma família rica? Ai, ela estava realmente perdida...
Mas decidira caminhar até lugares mais distantes... Estava com medo, preferia ter a companhia de Isadora... Grande amiga ela tinha! O problema é que não demoraria tanto para anoitecer... Talvez o melhor fosse empreender essa busca pela manhã...
Mas, no fim, decidira caminhar mais um pouco... Morava em Berlim desde que nascera, mas impressionante como tinha tantos lugares que eram completamente novos para ela! E se ela se perdesse? Mas a vontade de encontrar aquele jovem era maior e ela continuou andando... Andou, andou, até que seus pés começassem a doer. Ela, então, tirou seus sapatos e começou a andar descalça.
Já estava completamente fora dos limites da cidade. Casas eram cada vez mais raras, e o mato dominava a paisagem. Começava a anoitecer e o medo começara a tomar conta dela. Como faria para voltar para casa? Maldita hora que tivera essa ideia! Começa a voltar quando avista uma casinha à frente, depois de uma ponte. Vai atravessá-la quando machuca seu pé.
- Ai! Droga, como vou andar agora? Socorro! Alguém me ajude!
Rafinha escuta seus gritos. Era aquela garota? Não podia ser! Coo ela chegara até lá? E Zayn não estava em casa... Ele tinha que ajudá-la!
Sai tentando se esconder completamente, mas ela o reconhece quando se aproxima:
- Pode me ajudar? Eu machuquei meu pé... É você, não é? Que espreitava nas sombras... Eu te achei!
- Não sei do que a senhorita está falando... Bom, é só uma farpa que entrou no seu pé... Permita-me...
E com um rápido puxão ele habilmente a tira.
- Ai, doeu!Exagerada! Você não passa de uma riquinha mesmo!
- Por favor, não me deixe! Pode me levar até em casa?
Rafinha pensa no risco que correria. Mas já era noite e não podia deixá-la ir embora a pé, sozinha... É, teria que levá-la com sua carroça.
- Só um minuto.
Ele volta com a carroça, a ajuda a subir e partem rumo ao centro de Berlim.
- Oh, desculpe-me, mas eu tenho tantas perguntas... Qual o seu nome? O meu é Letícia, a propósito...
Silêncio.
- Por que não quer falar comigo? Sei que não é mudo.
Novo silêncio.
- Você não é muito de falar, não é mesmo? Está bem...
- Só devo levá-la até sua casa, certo? Então, que assim seja...
- Está bem... Mas poderíamos ser amigos, não?
- Eu não tenho amigos...
- Por quê?
- Chegamos ao centro. Aonde fica a sua casa?
- Ali, na esquina.
- Pode andar até lá, certo?
- Posso, mas...
- Então, adeus!
- Mas...
Letícia desce, desconsolada, e o vê partir.
Por que tanto mistério?
Agora ela ficara ainda mais fascinada.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Capítulo 4

Letícia ainda estava na casa de Isadora, mas completamente aérea: só pensando em como iria fazer para reencontrar aquele jovem misterioso...
- Letícia... Letícia... Letícia! – grita Isadora, tentando chamar a atenção da amiga.
- Ah... O quê? Quer me deixar surda?
- Você não ouviu nada do que eu disse, né?
- Claro que eu ouvi! Você estava falando do... Zayn... E...
- Só porque eu só falo nele mesmo...
- É, isso cansa...
- Quer parar? Mas e aí... Estava pensando naquele mau elemento, né?
- Para com isso, você nem o conhece!
- Nem você...
- Ah, que horas são?
- Quatro horas...
- Ah, eu preciso ir embora!
- Letícia!
E Letícia sai em disparada, com medo de que Cornelius chegasse.
Pouco tempo depois Isadora descobre o motivo da saída repentina de sua amiga.
- Isadora, poderia chamar a Letícia pra mim?
- Cornelius... Ela já se foi...
Como? Eu disse que vinha buscá-la!
- Sinto muito, mas ela não me disse nada...
- Tudo bem...
E Cornelius sai desconsolado.
Pouco tempo depois Isadora recebe a visita de Zayn contando-lhe, casualmente, o que sua amiga lhe contou sobre o rapaz misterioso.
Zayn volta para casa encucado.
Como ele morava em um lugar retirado, recebia poucas visitas e esperava que as coisas se mantivessem assim: com guerra ou sem guerra.
- Primo, pode vir aqui?
- O que foi, Zayn?
- Você foi até o baile, não foi?
- Claro que não! Fiquei aqui, como você me ordenou!
- Rafael!
Está bem... Eu fui... Mas fiquei lá fora, nas sombras... Só um pouquinho...
- Mas por tempo suficiente para a amiga da Isadora te ver, não foi?
- Sinto muito...
- Está bem... Mas você sabe que o clima está ficando hostil demais para nós, judeus, com Hitler no poder... Estão falando em uma guerra contra nós... Eu, por sorte, estou conseguindo esconder minha origem... Mas, você sabe que dificilmente o mesmo aconteceria com você, né?
- Sei... Isso não vai mais acontecer...
- Assim espero...
- Mas... Quem é ela?
- Rafinha... Ela é uma nobre, prometida à um provável soldado de Hitler, Cornelius... Esqueça isso!
- Está bem...
Mas a verdade é que Rafinha já não conseguia mais tirá-la da cabeça.

Capítulo 3

Letícia chegara em casa e não conseguira parar de pensar no misterioso rapaz que espreitava o baile nas sombras. Por que não entrara? Bom, a julgar pelas vestimentas, deveria ser de origem pobre, e nem deveria ter sido convidado. Mas quando ela ficava encucada com alguma coisa... Precisava descobrir tudo! Só não sabia por onde começar... Talvez sua amiga Isadora a ajudasse... Bom, no dia seguinte ela contaria tudo à amiga! Agora, precisava dormir, seus pés a estavam matando... Gostaria agora de não ter dispensado sua dama de companhia para ajudar-lhe a tirar seu vestido... Sentia-se tão cansada...
Letícia acabou adormecendo com roupa e tudo. No dia seguinte, sua mãe vem acordá-la:
- Filha, acorde!
- Ah mãe, deixe-me dormir mais um pouco...
- Você estava cansada mesmo, hein? Tanto que dormiu com o vestido!
- Ah mãe! Desculpe-me...
- Tudo bem... Vou chamar sua dama de companhia para ajudá-la a se arrumar.
Em poucos segundos Anne, sua jovem dama de companhia, estava ao pé de sua cama.
- Senhorita, vou arrumar seu banho e já venho ajudá-la com seu vestido.
- Eu só queria dormir mais um pouco...
Quando sua mãe a acordou, ela estava sonhando com o jovem misterioso... Realmente não conseguia parar de pensar nele!
Meia hora depois ela estava pronta, e desceu para o café da manhã com sua mãe.
- E aí filha, como foi o baile?
- Chato como todos os outros...
- Letícia! Pelo menos você estava bem acompanhada...
- Sim, Isadora e Zayn estavam lá também...
- Letícia! Não se esqueça que Cornelius será seu esposo...
- Ah mãe... Eu não quero me casar!
- Ah filha, eu sei bem que a solidão não faz nada bem...
- Mas eu tenho a senhora, e você me tem!
- Não é a mesma coisa...
- Vou até a casa da Isadora! Com sua licença...
- Está bem...
Letícia mal esperava para chegar à casa de sua amiga e lhe contrar sobre o misterioso encontro... Esperava que ela pudesse ajudá-la! Como a amiga morava perto, dispensou a carruagem e foi a pé mesmo. Ia tão distraída que não notou a presença de Cornelius.
- O que faz na rua tão cedo, minha cara?
- Oh... Vou à casa da minha amiga Isadora...
- Posso acompanhá-la até lá? Sabe, uma dama não deve adar pelas ruas desacompanhada...
- Eu sei me cuidar...
- Sei que sabe... Mas eu insisto! Deveria ter, ao menos, requisitado a companhia de sua dama...
- A Isadora mora perto. Aliás, aqui está a sua casa! Já pode ir cuidar de seus afazeres...
- Vou esperá-la aqui para levá-la até sua casa depois...
- Nâo há necessidade, afinal, devo passar todo o dia com a Isadora...
- OK... Então passo novamente... Digamos... Às 5 horas?
- Perfeito! Até mais!
Claro que Letícia pretendia já ter voltado para casa antes disso.
- Bom dia! Vim falar com a senhorita Isadora... Ela se encontra?
- Claro! Pode entrar.
A casa de Isadora era bem mais luxuosa que a sua. Afinal, sua família era bem maior. Mas ela só gostava de Isadora: achava os pais dela e seus irmãos uns verdadeiros carrascos, completamente adeptos ao... nazismo? Sim, acho que era esse o nome... Ela não ligava para política, mas como todos eram adeptos desse regime, do qual Cornelius não parava de falar... Era o que ela e sua mãe também eram, nazistas... Embora ela não soubesse o que isso significava, só que deviam temer os judeus... Mas o que ela temia mesmo era a iminência de uma guerra... Já perdera seu pai na primeira guerra mundial, não queria ver mais mortes! O jeito era esperar o que o futuro lhe reservava...
- Letícia!
- Isadora!
- Mãe, vamos sair para conversarmos!
- Já tomou café, Letícia?
- Já sim, senhora. Obrigada!
- Então vão! Mas comportem-se, hein? Não são mais crianças...
- Claro, mãe...
E as duas sobem etá o quarto de Isadora.
- Isa, preciso lhe contra uma coisa...
- Cornelius a pediu oficialmente em casamento?
- Claro que não, para de me agourar!
- Ai Letícia, só você mesmo... Qualquer garota se sentiria sortuda em ter Cornelius a seu lado!
- É, mas eu não sou qualquer garota...
- Tá... Mas e aí, o que aconteceu?
- Ontem, quando saí para o jardim, sozinha... Encontrei um rapaz espreitando nas sombras...
- Que horror! E você voltou correndo para o baile, né?
- Não, tentei falar com ele...
- O quê? Você é doida? Que perigo, vá saber o tipo de mau elemento que ele era!
- Ele não parecia ser malvado... Pelo contrário, só parecia se tratar de um belo rapaz, assustado...
- Você conseguiu ver o seu rosto?
- Muito pouco, pois ele tentava se esconder com um capuz...
- E se fosse um judeu?
- Não sei... Só sei que não parecia me representar nenhum perigo... E não paro de pensar nele...
- Você enlouqueceu de vez! Acho bom se casar logo com Cornelius!
- Isso nunca!
- Letícia...
- Se for pra falarmos disso, eu vou embora! Queria que me ajudasse à solucionar esse mistério...
- Você sabe que adoro um bom mistério... Mas desse tipo... Estou fora!
- É... Ela estava sozinha nessa, teria que procurá-lo sozinha.


Capítulo 2

Chegamos à festa. Tratava-se de um amplo salão ricamente decorado, com um espaço para os casais apaixonados dançarem (sua amiga Isadora e Zayn já se encontravam lá dançando), outro espaço com mesinhas dispostas ao redor para descanso e, para aqueles que quisessem, se servirem de ponche e variados petiscos.
Só havia nobres lá. Cornelius começa a apresentá-la para seus amigos. Ela se sentia tão deslocada... Será que ela não tinha sido adotada, vindo de uma família pobre? É o que ela imaginava, às vezes... Quando ela vê que sua amiga fora se sentar...
- Cornelius, não estou me sentindo bem... Vamos nos sentar?
- Mas não pense que vai se livrar de uma dança, minha cara!
- Está bem... - Pelo menos não ficaria o tempo todo sozinha com ele. – Isadora! Vamos nos sentra aqui Cornelius, por favor!
- Está bem, está bem... Zayn, Isadora... – Ele faz uma reverência.
E eles se sentam, começando a conversar, animadamente.
- Zayn, quero que conheça alguns amigos meus... Dão-nos licença?
- Claro, claro... Só devolva meu namorado são e salvo, hein?
E as duas ficam conversando.
- Ai Letícia, não sei como você pode reclamar de namorar com o Cornelius...
- Se quiser, pode ficar com ele!
- Ah não, prefiro o Zayn mesmo... Mas o Cornelius é um grande partido também!
- Preferia ficar solteirona...
- Só você mesmo...
- E esses boatos de guerra... Será que se concretizam?
- Ai, tenho tanto medo de que o Zayn tenha que se alistar...
- Bom, eu estou torcendo por isso com relação ao Cornelius!
- Ai que horror, Letícia!
- E lá vêm eles...
- Minha querida Letícia... Dá-me a honra dessa dança?
- Fazer o quê, né? – E Isadora me dá um pisão no pé. – Ai!
Levanto-me, com o pé dolorido. Rodopiamos e como dança não é o meu forte, acabo pisando no pé de Cornelius.
- Desculpa!
- Tudo bem... Principalmente se...
Cornelius se inclina para me beijar. Eu me desespero e saio correndo.
- Letícia!
Nem olho para trás. Saio direto para o jardim e trombo com um rapaz que se escondia nas
sombras.
- O quê? Quem é você, o que faz aqui?
Letícia dá uma boa analisada nele. Ele procurava se esconder com um capuz, mas dava para ver que se tratava de um belo rapaz, alto... Ela não podia negar que se sentia extremamente atraída por esse belo misterioso!
- Não sou ninguém! Você nunca me viu aqui, certo?
- Espera!
Mas ele vai embora. Cornelius aparece.
- Algum problema?
- Não... Vamos embora?
Cornelius fica decepcionado, mas a conduz até a carruagem.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Alemanha, 1938

Letícia olhava o movimento da rua em Berlim pela janela de sua casa.
Ela vinha de uma família nobre alemã. A casa era suntuosa, com diversos quartos, mas ela não gostava de ostentar riqueza e, por isso, escolhera um quarto modesto, que poderia ser facilmente confundido com um simples quarto de serviçal. Afinal, vivia só com sua mãe, logo, não havia motivos para se comportar como uma nobre. Seu pai morrera na primeira guerra mundial e ela esperava não ter que ver mais uma guerra acontecer. Não se considerava igual às demais garotas, dadas às mais diversas formas de futilidades possíveis.
Apesar de morar só com sua mãe, seus familiares adoram se intrometer em sua vida: está “prometida” ao seu primo, Cornelius. Mas eles que não pensem que conseguiriam convencê-la a se casar! Afinal, ela só tinha 20 anos. Se dependesse dela, nunca se casaria! Não com Cornelius, pelo menos! Ela tinha nojo dele. Não era exatamente feio: longe disso, as garotas viviam suspirando por ele, incluindo sua melhor amiga, Isadora. Mas o coração dela já tinha dono: Zayn, para quem ela era prometida desde o nascimento. Sua amiga dera sorte de já ser apaixonada pelo seu prometido, mas isto estava longe de ser sua realidade! Estava completamente absorta em seus pensamentos quando ouve sua mãe lhe chamar:
- Letícia, pare de ficar sonhando acordada aí e desça já aqui! Cornelius veio vê-la!
- Mãe, não estou bem! Diga pra ele voltar outro dia!
- Letícia!
- Está bem, mãe...
Letícia sabia que não adiantava brigar com sua mãe, e desce. Ela dá de cara com Cornelius a esperando no topo da escada.
- Milady! – Ele a reverencia e beija sua mão. Ainda bem que ela usava luvas! – Vim convidá-la para se juntar a mim no baile real. Dizem que uma nova guerra deve estourar a qualquer momento. Temos que aproveitar esses raros momentos de diversão que nos restam... Concorda, minha cara?
Ela estava prestes a recusar quando olha para sua mãe.
- Está bem, Cornelius... Eu vou...
- Perfeito! Então vamos?
- Só um minuto!
Letícia sobe rapidamente e liga para sua amiga Isadora:
- Isadora, por favor, me salve dessa! Cornelius me convidou para um baile, você tem que vir com a gente! Por favor!
- Calma! É o baile real? Zayn vai me levar lá também!
- Ufa... Não quero ficar sozinha com Cornelius!
- Ótimo, então nos vemos lá!
- Até!
E Letícia vai mais calma para o baile. Sua mãe os olha com um sorriso enorme no rosto.