terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Epílogo

A guerra acaba. Ao voltarem para casa, Zayn e Cornelius descobrem através de Isadora que Letícia e Rafinha morreram no agora famoso campo de concentração de Auschwitz. Sem nenhuma festa, Zayn e Isadora realizam seu casamento. Cornelius enlouquece.
2000 - Berlim

Zayn e Isadora, já velhinhos, contemplam seus filhos e netos realizando um piquenique.
- Fomos felizes, não fomos? - pergunta Isadora.
- Com certeza...
- Será que a Letícia e o Rafinha morreram felizes?
- Tenho certeza de que sim...
- Então acho que morreremos juntos e felizes, como eles...
- Pois é...
E os dois também morrem tranquilamente, abraçados, e juram que, no último segundo, viram Letícia e Rafinha sorrindo para eles.

Cornelius nunca esqueceu sua amada Letícia e, por isso, nunca se casou. Nem poderia, já que, pouco depois da guerra, com tudo que viu por lá, somado à morte de sua amada, a culpa o levou à ser internado num centro psiquiátrico, aonde vive até hoje. Porém, em seus últimos minutos, em um momento de lucidez, ele começou contar toda a sua história para seus colegas de confinamento e, pouco tempo depois, calou-se para sempre.
Todos que ouviram a história dizem que a última coisa que ele disse foi, ao olhar fixamente para um ponto:
“Obrigado por me perdoarem, Rafinha e Letícia”.
Mas como todo mundo lá é louco, ninguém acreditou em nada.

FIM

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Capítulo 20

Depois de um tempo, Letícia descobre que Rafinha estava em um campo de concentração na Polônia através de Zayn. Ela se desespera e pede que Zayn a leve até lá.
- Você sabe que eu não posso...
- Zayn, ele é seu primo! Temos que fazer alguma coisa!
A essa altura, Zayn já havia contado toda a verdade para Letícia. Mas não para Isadora, com medo de que ela não entendesse.
- Não dá...
- Covarde!
E Letícia percebe que estava sozinha nessa. Espera Cornelius e Zayn voltarem para a guerra para agir. Isadora tenta impedi-la.
- Tem certeza do que você está fazendo?
- A única certeza que eu tenho é que eu amo o Rafinha e não posso deixar ele morrer!
- Ai, Letícia...
E Letícia segue para a Polônia. Chegando lá ela rapidamente descobre aonde Rafinha estava. Percebe que a segurança é extremamente reforçada, e logo dá um jeito de ir parar lá dentro. Um soldado alemão que ela aborda diz que o local se trata de um “centro de trabalho” para os judeus contribuírem de bom grado com a economia nazista, então resolve contar que está esperando um filho de um dos “trabalhadores” judeus de lá. Imediatamente, a história muda: ela é estapeada e levada lá para dentro. Letícia começa a descobrir os horrores de um campo de concentração: péssimas condições de higiene e de alimentação, pessoas abarrotadas, obrigadas a trabalhar dia e noite, execuções ocorrendo pelo mínimo deslize... Letícia não imaginava que um ser humano pudesse cometer tanta crueldade com outro ser humano... Crianças, idosos, outras mulheres grávidas... Ninguém era poupado... E como Letícia tentava evitar muitas das crueldades, já se encontrava toda machucada... Apenas dias depois ela encontra Rafinha, que se espanta ao ver o estado de sua amada.
- Letícia, o que você está fazendo aqui?
- Até que enfim eu te encontrei! - E ela quase desmaia em seus braços.
- Sua louca, como você parar aqui?
- Eu tinha que te encontrar, o Zayn me disse que você estava aqui, daí eu viajei e contei para um dos soldados que eu estava esperando um filho de um dos judeus daqui... Daí ele me jogou aqui dentro sem qualquer escrúpulo...
- Letícia... O que me dava força de suportar essa estava forçada aqui era saber que você e meu filho estavam em segurança! Sua barriga já está aparecendo...
- Sim! Desculpa, mas eu não vivo sem você...
_ Letícia... Você é louca!
- Todos me falam isso mesmo...
Nesse instante, um dos guardas aparecem.
- Chega de conversa! Vão trabalhar!
E ambos são obrigados à irem para o trabalho com mais milhares de judeus de todas as idades.
Horas depois os guardas voltam dizendo que eles tomariam banho agora.
Todos são encaminhados para um outro prédio, aonde lhes exigem que tirem a roupa. Todos obedecem e aguardam. Começam a perceber que há algo errado quando, em vez de água, começa a entrar uma fumaça lá dentro, através de um buraco pelo teto. Não demora muito para todos perceberem que foram enviados é para a morte. Rafinha se desespera. Letícia nem tanto.
- Tudo bem, amor... Eu morro feliz, pois estou ao seu lado...
- Você, definitivamente, é louca de pedra...
- Eu sei... Mas o que importa é que eu te amo, e te encontrei... E agora, nunca mais vou te perder...
- Eu amo vocês dois... - E Rafinha alisa a barriga de sua amada.
Os dois morrem lentamente, abraçados, enquanto o caos ainda toma conta do recinto. A imagem dos dois destoa e acaba trazendo algum conforto aos que veem essa última imagem antes de morrer.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Capítulo 19

Isadora chega até o casebre de Rafinha, sem ter ideia que tinha sido seguida. Apesar de nunca mais ter voltado lá, por sorte (ou azar), ela ainda lembrava o caminho e não teve muita dificuldade de encontrar o local.
- Letícia, você está aí?
- Isadora! O que você está fazendo aqui, sua doida?
- Poderiam se vestir, por favor?
Nessa hora, Cornelius chega escancarando a porta, sem dar chance de Letícia e Rafinha saírem da cama.
- Muito bonito, né, sua messalina?
- Cornelius? O que você está fazendo aqui? - desespera-se Letícia.
Rafinha vê seu primo Zayn na porta.
- Vista-se e venha comigo agora! - grita Cornelius.
- Não! Você não manda em mim!
- Então você prefere encarar as consequências de proteger um judeu... É isso mesmo?
- Sim, eu o amo e estou esperando um filho dele!
- Meu Deus, você é uma puta mesmo!
-Não fale assim com ela! - Rafinha ameaça partir para cima de Cornelius, mas é impedido por Letícia. Zayn segue observando tudo de longe.
- Cornelius... Se eu ir com você, você promete deixá-lo em paz? - Letícia lembrou-se das histórias de extermínio de judeus que tinha ouvido, e não queria que algo do tipo acontecesse com seu amado.
- Prometo.
Rafinha olha confuso para Letícia.
- Ótimo. Então só me dê um tempo para me arrumar. Já vamos.
Todos saem, deixando Letícia e Rafinha a sós.
- É isso mesmo que eu entendi... Você vai me abandonar?
- Rafinha... Você sabe que é bem provável que os boatos sobre extermínio de judeus sejam verdadeiros, e eu não quero que algo do tipo aconteça com você!
- Você confia em Cornelius?
- Não, mas vou ter que arriscar. Você sabe que eu te amo, não sabe? Quando essa guerra terminar, eu volto para você... Prometo!
- Está bem... Também te amo!
Os dois se beijam, e Letícia sai, deixando Rafinha arrasado. Ele não achava que as coisas dariam certo.
Cornelius sai com Letícia e Isadora, não sem antes falar com Zayn.
- Cuide dele, se é que você me entende... - Despede-se com um sorriso irônico no rosto.
É, as coisas não terminariam bem, realmente. Zayn entra no casebre.
- Meu primo, por que você não me deu ouvidos?
- Porque nós nos amamos! Isso é errado?
- Cornelius pediu para que eu dê um jeito em você...
- Você vai cumprir as ordens dele?
- Digamos que eu fale que você fugiu...
- Eu não quero fugir... Não sem a Letícia e meu filho...
- Rafinha, pense bem... Se você a ama de verdade, deveria querer o melhor pra ela... E nós dois sabemos que o melhor pra ela é ficar com o Cornelius...
- Acho que você tem razão... Não é justo que ela tenha que viver se escondendo, vivendo em péssimas condições... Está bem... Mas você promete cuidar dela pra mim?
- Claro! Não seja pego, você não tem ideia das atrocidades que os nazistas têm cometido com os judeus...
- Vou tentar... Até algum dia, primo...
- Até...
E os dois se despedem com um abraço.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Capítulo 18

O aniversário de Letícia estava se aproximando. Letícia já pedira para sua mãe que não queria festa, afinal, não havia clima para isso. Ela, supostamente, passaria o dia ao lado de sua amiga Isadora. Porém, vai até Rafinha, que procurara organizar uma pequena festa surpresa para sua amada. Estava sendo um dia muito feliz para Letícia, que começava à se preocupar com o surgimento de uma barriguinha que começava a querer denunciar sua gravidez.
Enquanto isso, no centro de Berlim, dois cavalheiros eram vistos andando nas ruas desertas.
Um deles entra na casa de Isadora, que leva um susto:
- Zayn?
- Oi, amor...
Isadora se recupera do susto e corre para os braços de seu amado. Palavras não eram necessárias para o momento. Eles tratam de matar a saudade que sentiam um do outro.
Depois de um bom tempo, eles lembram do mundo à sua volta.
- Zayn, o que você está fazendo aqui? A guerra acabou?
- Infelizmente não... Mas conseguimos dar uma fugidinha. O Cornelius queria vir para o aniversário da Letícia, daí aproveitamos...
Isadora congela.
- Cornelius veio também?
- Sim... Por quê?
- Por nada... - Isadora pensa em Letícia que, nesse momento, estaria com Rafinha... O que seria de sua amiga agora? Nesse instante, Cornelius bate na porta.
- Isadora, a Letícia está com você?
- Oi Cornelius, tudo bem? O que você conta da guerra?
- Isadora... Eu fui na casa da Letícia, a mãe dela disse que ela estaria aqui... Agora eu chego aqui e ela não está também... Você pode me dizer o que está acontecendo?
- Você vai ter que perguntar para ela, sinto muito...
- Mas como eu faço para achá-la? - Cornelius se exalta, assustando Zayn e Isadora, principalmente Zayn, achando que Rafinha tem algo a ver com esse sumiço.
- Desculpe-me Isadora, mas você pode me contar o que sabe? Pois sei que está escondendo alguma coisa... - Pede Cornelius, agora mais calmamente.
- Olha, eu acho que ela apenas foi dar uma volta... Você sabe como a Letícia é, toda independente e tal... E ela nunca gostou de comemorar aniversário, acho que ficou com medo que armássemos alguma coisa, só isso... Que tal se cada um de nós saísse para procurá-la?
- Nada disso, Isadora, você vai ficar em casa! Eu e Cornelius que sairemos para procurá-la, é muito perigoso.
- Está bem... Tomem cuidado!
Os dois saem, mas Isadora não pretendia ficar em casa esperando pelo pior. Dessa vez ela teria que se arriscar e ir até Letícia para avisá-la. Imaginando isso, Cornelius fica escondido, esperando a saída de Isadora.
- O que você pretende fazer? - pergunta Zayn.
- Tenho certeza de que a Isadora sabe aonde a Letícia está, e pretende ir avisá-la de minha chegada. Então, vamos esperar ela sair para segui-la.
- Não creio que a Isadora tenha essa coragem...
- Duvida? Olha lá.
Nesse instante eles veem Isadora saindo de casa.
- Não disse? - diz, orgulhoso, Cornelius. - Vamos lá.
E Zayn teme pelo pior.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Capítulo 17

Mais um tempo se passou, e a situação da guerra só piorava. Letícia encontrava cada vez mais dificuldade para ir até Rafinha, mas ela não desistia. Nessa manhã havia acordado com um embrulho no estômago. Foi até a casa de Isadora.
- Isa... Ainda bem que você está aí, pois eu não estou legal...
- É claro que eu estou aqui, não sou louca que nem você pra ficar saindo de casa com uma guerra ocorrendo! Mas o que é que você tem?
- Um embrulho no estô... - Letícia nem conseguiu terminar a frase e teve que correr pro banheiro. Voltou pouco tempo depois com uma cara horrível, assustando Isadora.
- Você vomitou?
- Sim...
- Ai, amiga...
- O que é que tem?
- Não me diga que você... Não pode ser!
- Ai, fala logo de uma vez, não me deixe aflita!
- Letícia... Você está grávida???
- O quê? Agora é você que ficou louca?
- Esse enjoo... Está muito estranho...
- Não pode ser!
- Espero que sim, para o seu bem...
- Preciso ir embora...
- Letícia!
Letícia sai cambaleando... Não poderia ser gravidez... Ou poderia? Letícia sai correndo para conversar com Rafinha. Uma vez lá, ele também se assusta com sua aparência.
- Letícia, o que aconteceu?
Letícia quase desmaia em seus braços.
- Desculpe-me, mas eu preciso ir ao banheiro...
E nova rodada de vômitos ocorre. 
- Amor... Você está bem?
Letícia abre a porta.
- Precisamos conversar...
- Você está me assustando...
- Mais assustada do que eu impossível...
- Sente-se aqui e me conte tudo...
- Então... Acho que eu estou grávida...
- Estamos perdidos...
- Eu sei...
- Porém, eu quero muito esse bebê!
- Eu também!
- Jura que você quer enfrentar tudo ao meu lado?
- Qual parte do “eu te amo” você ainda não entendeu?
- Letícia, não vai ser nada fácil...
- Eu sei, mas eu quero ficar do seu lado, e ter nosso filho!
- Talvez a opção casamento, daquele jeito com que toda mulher sonha, esteja fora de cogitação...
- Primeiro: eu não sou qualquer mulher, logo, não tenho esse sonho não... Só ficar ao seu lado basta...
- E segundo?
- Você ainda não me disse se me ama também...
- Você tem alguma dúvida disso?
- Não, mas é sempre bom ouvir essas palavras, sabia?
- Sabia que, nesse ponto, você é igual a toda mulher?
- Nesse ponto eu não me importo a ser igual à qualquer uma...
- Letícia... Eu te amo!
Os dois se beijam e consumam seu amor novamente.
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Capítulo 16

Isadora estava morrendo de saudade de Zayn e, para não enlouquecer, resolveu ir visitar sua amiga Letícia.
- Letícia, posso entrar?
- Claro!
- Ai amiga, não aguento mais, estou com muitas saudades do Zayn!
- E eu não estou com nenhuma saudade do Cornelius...
- Ai Letícia!
- Ai, amiga... Se eu te contar uma coisa, você promete não contar pra ninguém?
- Letícia, o que você tem aprontado?
- Nada de mais... Só tenho passado algumas tardes com aquele jovem misterioso...
- Você o quê???
- Sim, ele existe!
- Letícia, você está louca???
- Amiga, você precisa conhecê-lo, ele é maravilhoso...
- Não acredito... Você está apaixonada por ele!
- Pior que estou sim...
- Definitivamente, você está louca...
- O pior de tudo é que ele é realmente judeu...
- Ah, não quero saber de mais nada! Você ainda vai se dar muito mal com isso, amiga, ouve o que eu estou falando!
- Tudo o que está acontecendo nessa guerra me parece muito injusto, o Rafinha não tem nada de diferente da gente...
- É sério, eu não quero ouvir mais nada!
- Isadora! Lembre-se do que você prometeu!
- Só me diz uma coisa: você... realmente está com ele!
- Sim...
- Letícia, você dormiu com ele???
- Ah, mais baixo, quer que minha mãe ouça?
- Desculpa, mas... É muita loucura pra minha simples cabecinha...
- Você dormiu com o Zayn também...
- É diferente...
- Não sei porquê...
- Você sabe muito bem a diferença...
- Ai Isa, será que ninguém vai me entender?
- Sinto muito, mas acho que não...
- Não é justo... Você quer ir comigo conhecê-lo hoje à tarde?
- Nem morta! Tchau... Não quero ser cúmplice dessa loucura!
- Isadora!
É, Letícia tinha que aprender que estava completamente sozinha nessa. Ela vai até Rafinha, conta tudo a ele e chora em seus braços.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Capítulo 15

Tempos depois...
Meses se passaram... A guerra seguia firme e forte, mas para Letícia e Rafinha era como se nada estivesse acontecendo: eles se encontravam diariamente na região aonde Rafinha residia... Suas tardes eram passadas em piqueniques ao redor do lago, aonde Rafinha a ensinara a pescar. Como Rafinha não se arriscava à ir até o centro, Leticia sempre lhe trazia suprimentos, já que Letícia o proibira de caçar pequenos animais por pena dos bichinhos! Rafinha se encantava cada vez mais por Letícia, mas temia muito por não ver um futuro para eles. Ele tinha que por um ponto final nessa história antes que fosse tarde demais.
_ Letícia?
- O que foi?
- Precisamos conversar...
- Não é o que nós sempre fazemos?
- Estou falando que temos que parar com isso...
- De nos encontrarmos?
- Sim...
- Mas por quê?
- Ouvi coisas horríveis no rádio... Está tudo muito perigoso...
- A guerra não vai nos separar!
- Você não tem como ter certeza disso...
- Tudo o que eu sei é que eu quero ficar com você!
- Letícia, por favor... Vá embora!
- Não é possível que você não sinta o mesmo...
- Como amar pode ser errado?
- Letícia...
Letícia se aproxima... Rafinha não se contem e a toma em seus braços. Beijam-se como se não houvesse mais ninguém no mundo. Até que Rafinha retoma o juízo.
- Não! Você tem que ir embora e nunca mais voltar!
- Não vou!
- Não me obrigue à ir até a cidade para levá-la...
- Rafinha, para! Não entende que eu quero ser sua?
- Letícia, você não tem ideia do que está falando!
- Eu não sou criança!
- Você tem certeza de que quer isso mesmo?
- Certeza absoluta!
E Rafinha não se contem novamente: a leva até seu casebre, consumando o amor entre ambos.e o problema: eu gosto muito de você, mas isso é errado...
- Agora não havia mais volta e, entre juras de amor, os dois adormecem.