Rafinha
não acreditava em seus olhos: que garota destemida! Andar por aquela
região, enquanto uma guerra estava em andamento... Que loucura! Mas
ele não podia deixar de admirá-la: odiava aquelas garotas cheias de
frescuras e esse, claramente, não parecia ser o caso dela!
Ele
a pega no colo e a leva para seu casebre. Ela demora a despertar, o
deixando preocupado: seria sensato ir atrás de ajuda? Felizmente,
nesse instante, ela começa a acordar.
-
Oh... Onde estou?
-
Na minha humilde casa, milady.
-
Então você existe mesmo! Não foi coisa da minha cabeça!
-
Temo que sim...
-
Mas como, de uma hora pra outra, só tinha mato por aqui?
-
Como você pode perceber, esse casebre é minúsculo, então não foi
difícil escondê-lo com vegetação...
-
Mas... Por quê?
-
Melhor a senhorita não saber de nada... Não percebe o perigo que
você está correndo vindo até aqui?
-
Você é... Judeu, não é?
Ela
percebe o medo nos olhos dele.
-
Oh, não se preocupe! Eu não sou como os outros: não entendo que
mal há em ser judeu, você é tão educado... Não é muito
diferente da maioria dos nobres alemães que eu conheço!
-
É, mas nem todos pensam igual à senhorita...
-
Por favor, pode me chamar de Letícia mesmo... A propósito, qual o
seu nome?
-
É Rafael, mas eu prefiro ser chamado de Rafinha...
-
Está bem, Rafinha... Que horas são?
-
Quase 7 horas...
-
Meu Deus! Minha mãe vai me matar, e nunca mais vai me deixar sair!
Preciso voltar!
-
Mas já é noite! E você sabe que eu não posso me arriscar,
levando-a até o centro...
-
Eu adoraria ficar, mas não posso... Eu preciso vê-lo de novo, você
não conhece a minha mãe!
-
Está bem, então eu a levo até o limite da floresta...
-
Tem certeza?
-
Não posso deixá-la andar sozinha no meio do mato! Mas... Tem
certeza de que você vai querer voltar?
-
Claro! Por que, não posso?
-
Seria ótimo, sinto-me tão sozinho aqui... Mas não sei se é
sensato...
-
Bobagem! Eu darei um jeito!
-
Mas vamos logo que vai ficando cada vez mais tarde!
Como
prometido, Rafinha a deixa no limite entre a mata e o centro de
Berlim. Letícia se despede, prometendo voltar no dia seguinte.
Rafinha se alegra, ao mesmo tempo em que se preocupa. Seria certo?
Tudo daria certo?
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