quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Capítulo 14

Rafinha não acreditava em seus olhos: que garota destemida! Andar por aquela região, enquanto uma guerra estava em andamento... Que loucura! Mas ele não podia deixar de admirá-la: odiava aquelas garotas cheias de frescuras e esse, claramente, não parecia ser o caso dela!
Ele a pega no colo e a leva para seu casebre. Ela demora a despertar, o deixando preocupado: seria sensato ir atrás de ajuda? Felizmente, nesse instante, ela começa a acordar.
- Oh... Onde estou?
- Na minha humilde casa, milady.
- Então você existe mesmo! Não foi coisa da minha cabeça!
- Temo que sim...
- Mas como, de uma hora pra outra, só tinha mato por aqui?
- Como você pode perceber, esse casebre é minúsculo, então não foi difícil escondê-lo com vegetação...
- Mas... Por quê?
- Melhor a senhorita não saber de nada... Não percebe o perigo que você está correndo vindo até aqui?
- Você é... Judeu, não é?
Ela percebe o medo nos olhos dele.
- Oh, não se preocupe! Eu não sou como os outros: não entendo que mal há em ser judeu, você é tão educado... Não é muito diferente da maioria dos nobres alemães que eu conheço!
- É, mas nem todos pensam igual à senhorita...
- Por favor, pode me chamar de Letícia mesmo... A propósito, qual o seu nome?
- É Rafael, mas eu prefiro ser chamado de Rafinha...
- Está bem, Rafinha... Que horas são?
- Quase 7 horas...
- Meu Deus! Minha mãe vai me matar, e nunca mais vai me deixar sair! Preciso voltar!
- Mas já é noite! E você sabe que eu não posso me arriscar, levando-a até o centro...
- Eu adoraria ficar, mas não posso... Eu preciso vê-lo de novo, você não conhece a minha mãe!
- Está bem, então eu a levo até o limite da floresta...
- Tem certeza?
- Não posso deixá-la andar sozinha no meio do mato! Mas... Tem certeza de que você vai querer voltar?
- Claro! Por que, não posso?
- Seria ótimo, sinto-me tão sozinho aqui... Mas não sei se é sensato...
- Bobagem! Eu darei um jeito!
- Mas vamos logo que vai ficando cada vez mais tarde!
Como prometido, Rafinha a deixa no limite entre a mata e o centro de Berlim. Letícia se despede, prometendo voltar no dia seguinte. Rafinha se alegra, ao mesmo tempo em que se preocupa. Seria certo? Tudo daria certo?

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