MESES
DEPOIS...
Isadora
não se conformava com o estado deplorável em que sua amiga Letícia
se encontrava. Desde a incursão sem sucesso pelos arredores de
Londres em busca daquele rapaz misterioso que parecia ter sido criado
pela mente de sua amiga na esperança de fugir do casamento com
Cornelius, ela não parecia mais ser a mesma pessoa: não saíra mais
do quarto, e disse que só sairia de lá para o casamento. Ela
definitvamente não entendia qual o problema em se casar com
Cornelius! Afinal, tratava-se de um ótimo partido, qualquer garota
mataria para estar no lugar dela! Mas nada parecia animar sua amiga,
ela chegava a desejar que o tal rapaz existisse mesmo para trazer de
volta sua amiga à vida! Mas lá ia ela, novamente, na esperança de
convencer sua amiga a sair do quarto.
-
Olá senhora, a Letícia está?
-
Isadora, como você sai na rua numa hora dessas?
-
Qual o problema? Ainda é de manhã!
-
Você não sabe que a guerra estourou?
-
Como? Ah, então é por isso que não tem quase ninguém nas ruas...
Mas a Letícia está?
-
No quarto, como sempre...
-
Obrigada, vou até lá então...
Isadora
entra no quarto e novamente se assusta com a aparência da amiga: ela
já estava ficando transparente de tão branca, e extremamente magra.
-
Amiga, sai dessa cama, por favor, você vai acabar sumindo!
Letícia
nem se dá ao trabalho de responder.
-
Ai amiga, viu que a guerra estourou?
Isso
trouxe certa “vida” para Letícia.
-
Que bom, quem sabe assim o Cornelius morrer e me deixa em paz!
-
Ai, que horror, Letícia! Mas, com certeza, seu casamento terá que
ser adiado agora...
A
mãe de Letícia chega à porta.
-
Isadora, o Zayn veio te buscar.
-
Obrigada, senhora. Já vou indo, Le. Saia dessa cama, por favor!
Apesar de que agora vai ser difícil podermos sair para passear...
Mas não vou desistir! Até logo!
Isadora
sai, avista Zayn e corre para seus braços.
-
Como você pode sair numa hora dessas, com uma guerra acontecendo,
sua doida?
-
Desculpe-me, mas eu nem sabia...
-
Como você é desligada, amor... Que susto me deu quando não te
encontrei em sua casa! Vamos...
-
Me leva até a sua casa?
-
Não, vamos para a sua.
-
Por que você nunca me leva até a sua casa: Quanto mistério!
-
É que ela fica mais longe. E eu não sou um dos homens mais
organizados da Alemanha...
-
Bobagem! Não vamos nos casar? Então eu mereço saber mais sobre
você... Você nunca me conta nada, não me mostra nada!
-
Não é justo!
-
É justo sim! Serei sua esposa! E você não me trata como tal!
-
Não vamos brigar, por favor!
-
Deixe-me em casa, apenas!
-
Isadora! Eu vou me alistar...
-
Você o quê?
-
Preciso ajudar, para que essa guerra acabe o mais rápido possível!
-
Você não pode fazer isso! E se... E se... Eu perdê-lo? – E
Isadora o beija, desesperadamente.
-
Sinto muito, mas eu tenho que fazer isso.
-
Você não é filho único? Então não precisa!
-
Mas eu quero! Já está tudo certo.
-
Zayn!
-
Pronto, chegamos. Agora, vá para casa e não ouse sair sozinha!
-
Você não manda em mim!
-
Isadora!
E
ela sai bufando, deixando Zayn preocupado.
-
No que eu fui me meter?
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