terça-feira, 26 de novembro de 2013

Capítulo 5

Letícia estava no meio da rua, completamente perdida, sem saber que rumo tomar em sua investigação. Como ela reencontraria aquele jovem? Não tinha a mínima ideia de por onde começar...
Começa a andar a esmo pelos arredores de Berlim... Se ele queria se esconder, não deveria morar no centro... É isso! Ele deveria morar num lugar mais retirado... Mas, já que era pobre, será que não seria serviçal de alguma família rica? Ai, ela estava realmente perdida...
Mas decidira caminhar até lugares mais distantes... Estava com medo, preferia ter a companhia de Isadora... Grande amiga ela tinha! O problema é que não demoraria tanto para anoitecer... Talvez o melhor fosse empreender essa busca pela manhã...
Mas, no fim, decidira caminhar mais um pouco... Morava em Berlim desde que nascera, mas impressionante como tinha tantos lugares que eram completamente novos para ela! E se ela se perdesse? Mas a vontade de encontrar aquele jovem era maior e ela continuou andando... Andou, andou, até que seus pés começassem a doer. Ela, então, tirou seus sapatos e começou a andar descalça.
Já estava completamente fora dos limites da cidade. Casas eram cada vez mais raras, e o mato dominava a paisagem. Começava a anoitecer e o medo começara a tomar conta dela. Como faria para voltar para casa? Maldita hora que tivera essa ideia! Começa a voltar quando avista uma casinha à frente, depois de uma ponte. Vai atravessá-la quando machuca seu pé.
- Ai! Droga, como vou andar agora? Socorro! Alguém me ajude!
Rafinha escuta seus gritos. Era aquela garota? Não podia ser! Coo ela chegara até lá? E Zayn não estava em casa... Ele tinha que ajudá-la!
Sai tentando se esconder completamente, mas ela o reconhece quando se aproxima:
- Pode me ajudar? Eu machuquei meu pé... É você, não é? Que espreitava nas sombras... Eu te achei!
- Não sei do que a senhorita está falando... Bom, é só uma farpa que entrou no seu pé... Permita-me...
E com um rápido puxão ele habilmente a tira.
- Ai, doeu!Exagerada! Você não passa de uma riquinha mesmo!
- Por favor, não me deixe! Pode me levar até em casa?
Rafinha pensa no risco que correria. Mas já era noite e não podia deixá-la ir embora a pé, sozinha... É, teria que levá-la com sua carroça.
- Só um minuto.
Ele volta com a carroça, a ajuda a subir e partem rumo ao centro de Berlim.
- Oh, desculpe-me, mas eu tenho tantas perguntas... Qual o seu nome? O meu é Letícia, a propósito...
Silêncio.
- Por que não quer falar comigo? Sei que não é mudo.
Novo silêncio.
- Você não é muito de falar, não é mesmo? Está bem...
- Só devo levá-la até sua casa, certo? Então, que assim seja...
- Está bem... Mas poderíamos ser amigos, não?
- Eu não tenho amigos...
- Por quê?
- Chegamos ao centro. Aonde fica a sua casa?
- Ali, na esquina.
- Pode andar até lá, certo?
- Posso, mas...
- Então, adeus!
- Mas...
Letícia desce, desconsolada, e o vê partir.
Por que tanto mistério?
Agora ela ficara ainda mais fascinada.

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