Letícia
estava no meio da rua, completamente perdida, sem saber que rumo
tomar em sua investigação. Como ela reencontraria aquele jovem? Não
tinha a mínima ideia de por onde começar...
Começa
a andar a esmo pelos arredores de Berlim... Se ele queria se
esconder, não deveria morar no centro... É isso! Ele deveria morar
num lugar mais retirado... Mas, já que era pobre, será que não
seria serviçal de alguma família rica? Ai, ela estava realmente
perdida...
Mas
decidira caminhar até lugares mais distantes... Estava com medo,
preferia ter a companhia de Isadora... Grande amiga ela tinha! O
problema é que não demoraria tanto para anoitecer... Talvez o
melhor fosse empreender essa busca pela manhã...
Mas,
no fim, decidira caminhar mais um pouco... Morava em Berlim desde que
nascera, mas impressionante como tinha tantos lugares que eram
completamente novos para ela! E se ela se perdesse? Mas a vontade de
encontrar aquele jovem era maior e ela continuou andando... Andou,
andou, até que seus pés começassem a doer. Ela, então, tirou seus
sapatos e começou a andar descalça.
Já
estava completamente fora dos limites da cidade. Casas eram cada vez
mais raras, e o mato dominava a paisagem. Começava a anoitecer e o
medo começara a tomar conta dela. Como faria para voltar para casa?
Maldita hora que tivera essa ideia! Começa a voltar quando avista
uma casinha à frente, depois de uma ponte. Vai atravessá-la quando
machuca seu pé.
-
Ai! Droga, como vou andar agora? Socorro! Alguém me ajude!
Rafinha
escuta seus gritos. Era aquela garota? Não podia ser! Coo ela
chegara até lá? E Zayn não estava em casa... Ele tinha que
ajudá-la!
Sai
tentando se esconder completamente, mas ela o reconhece quando se
aproxima:
-
Pode me ajudar? Eu machuquei meu pé... É você, não é? Que
espreitava nas sombras... Eu te achei!
-
Não sei do que a senhorita está falando... Bom, é só uma farpa
que entrou no seu pé... Permita-me...
E
com um rápido puxão ele habilmente a tira.
-
Ai, doeu!Exagerada! Você não passa de uma riquinha mesmo!
-
Por favor, não me deixe! Pode me levar até em casa?
Rafinha
pensa no risco que correria. Mas já era noite e não podia deixá-la
ir embora a pé, sozinha... É, teria que levá-la com sua carroça.
-
Só um minuto.
Ele
volta com a carroça, a ajuda a subir e partem rumo ao centro de
Berlim.
-
Oh, desculpe-me, mas eu tenho tantas perguntas... Qual o seu nome? O
meu é Letícia, a propósito...
Silêncio.
-
Por que não quer falar comigo? Sei que não é mudo.
Novo
silêncio.
-
Você não é muito de falar, não é mesmo? Está bem...
-
Só devo levá-la até sua casa, certo? Então, que assim seja...
-
Está bem... Mas poderíamos ser amigos, não?
-
Eu não tenho amigos...
-
Por quê?
-
Chegamos ao centro. Aonde fica a sua casa?
-
Ali, na esquina.
-
Pode andar até lá, certo?
-
Posso, mas...
-
Então, adeus!
-
Mas...
Letícia
desce, desconsolada, e o vê partir.
Por
que tanto mistério?
Agora
ela ficara ainda mais fascinada.
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